domingo, 29 de maio de 2016

Lugar de mulher é onde ela quiser

Minha filha estava assistindo um desenho animado do Tom e Jerry onde o Tom se apaixona perdidamente por uma gatinha “metida a besta” que exige muitos presentes em troca da sua atenção. O Tom oferece um anel de brilhantes, se endivida até a alma comprando um carro para dar de presente para a amada e mesmo assim não foi suficiente, ela queria mais e mais.  Até que ele acabou na sarjeta sem nenhum dinheiro e sem seu grande amor. A gatinha, cheia de presentes caros, saiu passeando bem bela em busca de outro otário que pudesse bancar seus luxos. Muito provavelmente sem nenhuma crise de consciência por isso, pois cresceu acreditando que a vida é assim, mulher espera ser conquistada e sustentada por um marido ao invés de desenvolver-se, buscar crescer com suas próprias pernas e sustentar-se sozinha e aí sim, lá pelas tantas conhecer um grande amor.

Fiquei pensando na construção das crenças dos meninos e meninas que assistem desenhos com esse tipo de mensagem e no poder que isso exerce na mente das crianças. Elas crescerão entendendo que homem deve se arrebentar para contentar uma mulher com bens materiais para conquistá-la e mesmo assim sem garantias de sucesso e mulher não deverá fazer muito esforço, apenas aguardar que o melhor candidato apareça.

Não lembro de ver desenhos que mostram uma mulher executiva conquistando um homem com um buquê de flores, por exemplo. Seria lindo de ver.  A imagem que nos passam desde a infância é de uma mulher dondoca totalmente dependente do homem financeiramente e esperando presentes caros para ser feliz. Então a menina cresce e não encontra o príncipe encantado que disseram que viria num lindo cavalo branco e a faria feliz para sempre e acaba não aceitando menos que isso no subconsciente. Vive eternamente frustrada com seu marido “fora dos padrões” que mal consegue sustentar a família.

Será que não está na hora de alterar a mensagem que queremos transmitir para nossas crianças? De que homens e mulheres encontram-se no mesmo patamar intelectual e com a mesma capacidade de construir uma história de sucesso na vida, podendo inclusive construir essa história juntos, sem precisar que um tenha que fazer mais esforço que o outro para que os dois possam ser felizes?

Será que não está na hora de pessoas pensarem no quanto crenças limitantes de uma criação altamente machista é capaz de impedir muitas mulheres de terem sucesso profissional? Será que essas mulheres não seriam plenas e realizadas sabendo que são seres independentes, fortes, capazes de conquistar grandes feitos e ter o gostinho de ser protagonista da própria história sem ficar à sombra de ninguém? Saber que são únicas e especiais com plenas condições de fazer a diferença na vida de muitas pessoas?  Sim, é possível. Tudo é possível de ser feito. Mas é preciso acreditar nisso. E se você passou uma vida inteira acreditando que não é possível, essa será a sua verdade, mas lembre-se que apenas na sua cabeça. 

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Vítimas do Mundo

Me impressiona a quantidade de pessoas que deixam de tomar atitudes positivas capazes de gerar bons resultados em suas vidas para se fecharem numa redoma de negatividade e inércia. Pessoas que preferem culpar os outros pelo seu fracasso. Pessoas que terceirizam responsabilidades em tempo integral e passam uma existência inteira trocando personagens que são sempre os culpados por tudo que lhes acontece formando um enorme quebra-cabeça de insucessos e mágoas. 

Ao longo da vida vão construindo uma teia de indignação, revolta, raiva, ódio, inveja, sem perceber que estão sozinhos presos a ela. Não fazem questão alguma de saber o significado da palavra networking, pois não conseguem firmar amizade com ninguém. Tudo que começam interrompem por não saberem se colocar no lugar do outro e por isso se chateiam por pouca coisa interferindo diretamente no que seria uma rede de relacionamentos duradouros. Aliás, perdem grandes oportunidades por isso.

A vítima do Mundo precisa mostrar que é vítima. Precisa ofender, se fazer de coitada, fazer questão que todos sintam pena da sua infelicidade. Derramam energia ruim por cima de quem estiver por perto e reclamam quando são incompreendidas. Vitimização rima com solidão, pois ninguém aguenta ficar perto por muito tempo.

Tem pessoas que sofrem o dobro, tem problemas muito mais sérios e ninguém fica sabendo. Elas caem, levantam, sacodem a poeira e dão a volta por cima, enquanto outras mergulham num mar de lama e ficam eternamente presas num espaço de lamentações e retrocesso. A vida não anda. Não progride. Passa ano e entra ano e tudo segue igual. Ela não aprende com os erros, apenas os repete. Justamente por nunca conseguir assumir a culpa pelos próprios resultados. E não somos quem achamos que somos, nós somos os nossos resultados. Se você não gosta do que recebe, observe o que emite. 

Algumas pessoas sentem pena e caem no jogo entediante de uma vítima do mundo até chegar num estágio em que não aguentam mais e acabam se afastando para manter a sanidade mental. E então, terminam entrando para a caixinha do quebra-cabeça sendo mais uma “pecinha culpada” que contribuiu para a infelicidade da vítima em questão. 

É extremamente cansativo conviver com vítimas do mundo. É preciso manter certo distanciamento e não se envolver nos problemas que serão rotineiros e acabarão influenciando de alguma forma a nossa vida. Preste atenção nas vítimas ao seu redor e mantenha distância para não correr o risco de ser contaminado por elas.  

segunda-feira, 23 de maio de 2016

A gente aprende a fazer fazendo

Meu filho esses dias me perguntou se eu “ainda” era coach do mesmo assunto porque ele já não sabia mais. Dei risada e respondi que na vida a gente aprende a fazer as coisas fazendo e só assim poderemos descobrir se aquilo é interessante de ser feito. Foi assim quando ele experimentou o violão, o taekwondo e o caratê e acabou gostando de futebol. Eu deveria forçá-lo numa modalidade? Não, pois sabia que ele estava se descobrindo experimentando o que mais lhe dava prazer. Testando suas aptidões. Revelando seus  talentos.

É muito lindo colocar um planejamento estratégico no papel onde se define detalhes de uma carreira brilhante, mas tudo isso será em vão se nada for colocado em prática. Precisamos nos testar para saber se a prática condiz com a idealização.

Quando comecei com o coaching estava encantada com o que ele fez por mim resolvendo fantasmas que me atormentavam devido ao meu divórcio em 2010. Escrevi um livro sobre isso para ajudar outras pessoas que enfrentam o processo de divórcio. Criei workshop para trabalhar o assunto e descobri que grande parte do meu público eram mulheres. Com isso, especifiquei meu nicho como coach para mulheres e criei produtos voltados ao público feminino.

Durante meu processo de construção como coach, me tornei sócia de uma empresa que trabalha coaching e consultoria empresarial e paralelamente atendia clientes que estavam buscando respostas para ter um sentido na vida ou querendo saber qual a melhor profissão escolher. Na época, eu estava focada em finanças, pois dentro dos produtos que oferecia para mulheres estava Gestão de Finanças Pessoais já que eu havia acabado de me especializar em Coaching  Financeiro.

No momento em que comecei a aplicar o coaching em mim mesma e fazer uma profunda análise do que realmente me dava prazer em trabalhar, percebi que não era nada do que estava fazendo.  Estava tudo confuso e sem direcionamento dentro do meu planejamento. Utilizei uma ferramenta de coaching que aborda anotações por uma semana de tudo que eu adorei e detestei fazer no dia e ali percebi que adoro identificar perfis para cada cargo, algo que percebo ser muito necessário dentro da universidade em que trabalho.

Pessoas passam grande parte de suas vidas muitas vezes fazendo o que não gostam porque as oportunidades que surgem não proporcionam que façam exatamente aquilo que gostam. Então surge a infelicidade no trabalho, a falta de estímulo, de querer fazer aquele algo a mais, de sentir prazer em acordar numa segunda-feira de manhã sem dar graças a Deus pelos Feriados e finais de semana.

Com isso, mudei de novo. Defini meu nicho e senti no meio do peito a certeza de ter feito a escolha certa. Algo que até então não havia sentido.  Sou coach de carreira.  Ajudo pessoas a ter prazer pleno na profissão de modo que se sintam felizes sem perceber o tempo passar. Quando fazemos o que amamos, fazemos com prazer e tão bem feito que o retorno financeiro é consequência.

Descobrir onde se quer focar toda a energia para fazer o que se gosta é algo libertador. Não importa se você trilhou um caminho e lá pelas tantas percebeu que não era bem nele que gostaria de estar. O que você fez na vida te mostrou experiências que são muito válidas para saber o que gosta e o que não gosta de fazer.

Permita-se descobrir novos caminhos utilizando seus talentos e características e não se desvie do que é realmente importante para você. Faça a sua existência ter sentido.  A vida é muito curta pra ser pequena. Você pode muito mais se estiver fazendo o que te faz feliz. 

sexta-feira, 13 de maio de 2016

A brevidade da vida

Acabo de perder um tio muito querido pra mim. Partiu com apenas cinquenta e sete anos. A meu ver com muita vida pela frente. O que me fez lembrar do meu sobrinho Marquinhos que aos vinte e quatro anos perdeu a vida num acidente em 2014. Mais uma vez a morte me provando a brevidade da vida e o quanto perdemos tempo com coisas pequenas que não deveriam estar presentes em nossa existência.  
 
Nosso dia tem vinte e quatro horas onde mal damos conta de atender aquilo que realmente nos importa como família, filhos, trabalho, saúde, espiritualidade etc. Muitas vezes abdicamos de momentos de lazer para dar espaço ao excesso de trabalho num ritmo apressado cujo dia parece pedir o dobro do tempo para fazer todas as coisas que precisam ser feitas. Sabemos que cada escolha é uma renúncia e quando optamos por nosso trabalho deixamos de lado momentos em família e se não soubermos dosar com cuidado tudo isso, nossos filhos crescerão sem que tenhamos construído memórias de aconchego e momentos de ócio e lazer em família. Aquele momento em que não se faz nada além de jogar um jogo de tabuleiro para dar umas risadas enquanto enchemos a cara de pipoca.

Em meio a tudo isso acontece de nos depararmos com obstáculos, com pessoas infelizes que sempre criam problemas a sua volta e acabam nos envolvendo numa teia de negatividade onde não conseguimos sair. Então buscamos a reclusão para de certa forma nos isolarmos de tudo isso e focar no que nos faz bem, no que nos faz feliz. Lá pelas tantas alguém adoece, é preciso parar tudo para dar atenção. A vida desacelera para que possamos voltar nossos olhos para quem precisa. Pode ser que a gente mesmo adoeça e daí a máquina para de vez, nos mostrando que de nada adianta focar em excessos, pois em algum momento o que tiver demais, vai transbordar te mostrando o momento de parar.É preciso equilíbrio. Desacelerar. Olhar para a vida com olhos de quem sabe separar em fatias cada momento de dedicação. Não é muito fácil. Mas é preciso. E quando a morte bate a nossa porta, conseguimos perceber o quanto a vida é curta e deve ser aproveitada com alegrias e realizações.

Se você morresse hoje, que legado deixaria? Você estaria satisfeito com seus feitos? Como as pessoas vão lembrar de você? Quando você olha para trás consegue dizer que sua vida valeu à pena? Pense nisso e aproveite para corrigir o tempo que te resta. Só não esqueça que esse tempo pode ser bem curtinho. É preciso urgência para ser feliz.